Perfil do ministro do TCU Jhonatan de Jesus, ex-deputado federal e atual relator no caso do Banco Master

Jhonatan de Jesus é ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) desde março de 2023. Médico de formação, ele exerceu quatro mandatos consecutivos como deputado federal pelo Republicanos (2011–2023).


Por Luiz Maia

Jhonatan de Jesus é filho de Mecias de Jesus, atual senador do Republicanos por Roraima e influente liderança política no estado.

Tribunal de Contas da União dá posse ao novo Ministro Jhonatan de Jesus | Reprodução

Eleito pela primeira vez aos 27 anos, Jhonatan destacou-se como o parlamentar mais votado de Roraima nas eleições de 2022. Sua carreira foi marcada por uma ascensão rápida dentro do "Centrão". Durante seu tempo na Câmara dos Deputados, foi um aliado próximo de Arthur Lira, o que facilitou sua articulação para a indicação ao TCU.

Sua escolha para o TCU ocorreu em uma disputa interna na Câmara, onde derrotou candidatos de outros blocos e foi aprovado com ampla maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Sua nomeação permitiu que ele permaneça no cargo até 2059, quando completará 75 anos.

Controvérsias e Escândalos

Jhonatan de Jesus tem sido alvo de críticas e dossiês que questionam sua "reputação ilibada" para o cargo, critério exigido para ministros do TCU.

Ao longo de sua vida pública, Jhonatan de Jesus enfrentou escrutínio jurídico e político. 

Seu nome foi associado a investigações de desvios na Secretaria de Saúde de Roraima (Sesau), tema que gerou críticas durante sua sabatina para o TCU. Antes de sua eleição para o TCU, circulou um dossiê listando supostas investigações de corrupção e questionando sua "reputação ilibada", requisito constitucional para o cargo.

Políticos e entidades apontaram Jhonatan de Jesus como um dos responsáveis políticos pela negligência que levou à crise humanitária nas terras Yanomami em Roraima.

Durante seu mandato como deputado federal, Jhonatan de Jesus foi alvo de inquéritos que, em sua maioria, não resultaram em denúncias aceitas ou condenações.

Há investigações em curso no STF sobre o uso de emendas do orçamento secreto e recursos destinados a municípios de Roraima, sua base eleitoral.

O mais novo escândalo envolve emendas parlamentares enviadas pelo então deputado por Roraima Jhonatan de Jesus, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), e pelo pai dele, o senador Mecias de Jesus (Republicanos), que deveriam ser usadas para a construção de 300 casas populares. A promessa era deixar o conjunto pronto no final de 2024. Hoje, só uma casa saiu do papel e ninguém mora nela. O imóvel já tem sinais de abandono e deterioração, enquanto a área onde deveriam estar as outras 299 não tem nem fundação. Em vez de um canteiro de obras, o terreno está tomado por mato. 

Embora não configure um processo criminal individual direto até o momento, sua trajetória é frequentemente ligada a processos que investigam a exploração ilegal de garimpo em terras indígenas, devido ao histórico político de seu pai, o senador Mecias de Jesus.

Não há, até esta data, nenhuma sentença que torne Jhonatan inelegível ou o afaste do cargo. O maior risco jurídico atual é a possível anulação de suas decisões no caso Banco Master pelo próprio plenário do TCU ou pelo STF, caso se comprove desvio de finalidade.

Em abril de 2025, uma BMW em nome da esposa do ministro do TCU, Jhonatan de Jesus, foi apreendida com o “Careca do INSS”. Carro de luxo estava guardado em garagem e consta na relação de veículos confiscados. A apreensão da BMW X1 branca foi no Lago Sul de Brasília, em 23 de abril, ainda na primeira fase da operação que apura fraudes bilionárias no INSS.

Sua esposa também foi denunciada como funcionária fantasma da Câmara dos Deputados, no gabinete do deputado federal Gabriel Mota (Republicanos-RR) .

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