TCE-RJ investiga "investimento de risco" de R$ 218 milhões da Cedae no Banco Master (VIDEO)

O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (4 de fevereiro de 2026), a abertura de uma auditoria governamental para investigar possíveis irregularidades nas aplicações financeiras feitas pela Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) no Banco Master.


Por Luiz Maia

A investigação foca em aportes que somam aproximadamente R$ 218 milhões. O relator do processo, conselheiro Rodrigo Nascimento, destacou a existência de "fortes indícios de graves irregularidades", apontando que a estatal teria ignorado parâmetros de segurança financeira ao concentrar recursos em títulos da instituição privada, que entrou em liquidação extrajudicial pelo Banco Central em novembro de 2025.

Ex-diretor financeiro foi assessor no governo Castro em 2022 - Foto: Reprodução

O "Padrão Rioprevidência"

A denúncia que originou o processo foi apresentada pelo deputado estadual Luiz Paulo (PSD). Segundo o parlamentar, a Cedae teria seguido um padrão similar ao do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores estaduais que também aplicou cifras bilionárias no grupo financeiro de Daniel Vorcaro.

Os investimentos da Cedae em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) ofereciam taxas de retorno atípicas — cerca de 130% do CDI —, o que, para especialistas e órgãos de controle, indicava um risco incompatível com a gestão de recursos públicos.

Facilitação Interna

Outro ponto central da auditoria é a atuação de um ex-diretor financeiro da Cedae. Investigações preliminares indicam que o executivo, que anteriormente atuou como assessor-chefe no gabinete do governador Cláudio Castro, teria sido o responsável por alterar normas internas de compliance para viabilizar os aportes no Banco Master, mesmo quando a instituição apresentava notas de crédito (ratings) abaixo do recomendado.

Posicionamento das Partes

Cedae: Em nota oficial, a companhia informou que prestará todos os esclarecimentos ao TCE-RJ. A estatal alega que as aplicações seguiram a política de investimentos vigente na época e que já havia iniciado o resgate dos valores antes da intervenção do Banco Central, mas o processo foi interrompido pela liquidação da instituição.

TCE-RJ: Determinou a notificação imediata dos responsáveis para apresentarem defesa e justificarem a ausência de fiscalização adequada sobre o risco das operações.

Para entender como esses investimentos foram viabilizados, é preciso olhar para a estrutura da Diretoria Financeira e de Relações com Investidores da Cedae entre 2023 e 2024.

As investigações do TCE-RJ e as denúncias levadas à ALERJ focam em nomes que transitaram entre o alto escalão do Governo do Estado e a estatal. Abaixo, os principais perfis envolvidos no período dos aportes:

1. Daniel Okumura (Ex-Diretor Financeiro)

É considerado a figura central na estratégia de investimentos da companhia. Antes de assumir a diretoria financeira da Cedae, Okumura foi assessor-chefe no gabinete do governador Cláudio Castro.

A suspeita: Documentos obtidos por órgãos de controle indicam que, sob sua gestão, a Cedae teria alterado resoluções internas para permitir que o Banco Master fosse incluído no rol de instituições aptas a receber aportes, mesmo sem possuir o rating (nota de crédito) de primeira linha exigido anteriormente.

2. Aguinaldo Ballon (Diretor-Presidente)

Como presidente da estatal, Ballon é o responsável final pela governança da companhia. Embora a área financeira tenha autonomia técnica, o TCE-RJ investiga se houve omissão da presidência ao não vetar uma concentração de risco tão alta em uma única instituição privada (o Banco Master).

3. Membros do Comitê de Auditoria e Riscos

A auditoria do tribunal também busca identificar quem foram os técnicos e conselheiros que deram o "parecer favorável" para as aplicações em CDBs de 130% do CDI. O foco é descobrir se os alertas de compliance foram ignorados ou se houve pressão política para a aprovação.

O Contexto Político

A investigação ganha tração porque o grupo ligado ao Banco Master e ao empresário Daniel Vorcaro mantinha relações próximas com diversas esferas do governo estadual.

O "Caminho do Dinheiro": O deputado Luiz Paulo, autor da representação no TCE, aponta que o movimento na Cedae mimetizou o que ocorreu no Rioprevidência, onde o estado também alocou recursos significativos no mesmo banco antes da crise de liquidez da instituição.

Próximos Passos da Auditoria:

Quebra de sigilo: O TCE pode solicitar acesso aos e-mails institucionais desses diretores para verificar a comunicação com corretores e agentes do Banco Master.

Responsabilização: Caso comprovada a má gestão, os ex-diretores podem ser condenados a ressarcir o erário com patrimônio pessoal e ficar inelegíveis para cargos públicos.

Para visualizar a magnitude do que está sendo chamado de "crise Master" no Rio de Janeiro, preparei este comparativo que mostra como a estratégia de investimento foi replicada em diferentes órgãos estaduais.

Comparativo de Exposição: Cedae vs. Rioprevidência

Enquanto a Cedae utilizou recursos próprios e de reservas de caixa, o Rioprevidência comprometeu recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões.

CaracterísticaCedaeRioprevidência
Volume EstimadoR$ 218 milhões~ R$ 1,5 bilhão
Tipo de AtivoCDBs (Certificados de Depósito)Cotas de Fundos (FIDs e FIIs)
Taxa de Retorno~ 130% do CDITaxas variadas (acima do mercado)
JustificativaMaximização de caixa para investimentosBusca por solvência do fundo previdenciário
Status AtualBloqueado por liquidação extrajudicialInvestigado por baixa liquidez e risco

O Mecanismo do Risco

O principal problema apontado pelos auditores não é apenas o valor absoluto, mas a concentração. No mercado financeiro, a regra de ouro é a diversificação.

Ao concentrar centenas de milhões em um único banco que não era classificado como "Too Big to Fail" (grande demais para quebrar), os gestores da Cedae e do Rioprevidência expuseram o patrimônio público a um risco binário: se o banco prosperasse, o lucro seria alto; se o banco sofresse intervenção (como ocorreu), o dinheiro ficaria inacessível por anos.

Consequências Práticas

Impacto na Cedae: O bloqueio desses R$ 218 milhões pode afetar o cronograma de obras de saneamento e modernização que a empresa ainda executa, apesar da concessão dos serviços de distribuição.

Impacto no Estado: Como o Rioprevidência é deficitário, qualquer perda no fundo precisa ser coberta pelo Tesouro Estadual, o que retira dinheiro de áreas como Saúde e Segurança.

Fontes Consultadas:

  • G1 Rio de Janeiro: "Cedae investiu R$ 200 milhões no Banco Master; TCE-RJ apura" (Nov/2025).
  • Tempo Real RJ: "Cedae na mira do TCE-RJ por investimentos de R$ 218 milhões no Banco Master" (Fev/2026).
  • ICL Notícias: "Ex-assessor de Castro facilitou investimento da Cedae no Master" (Dez/2025).
  • InvestNews: "Cedae calcula perda de R$ 220 milhões por liquidação do Banco Master" (Nov/2025).
  • Broadcast/Estadão: Notas explicativas sobre balanço patrimonial da Cedae e ratings financeiros.
Texto escrito com ajuda de inteligência artificial

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