Localização dos “laranjas” e o congelamento dos recursos, porém, estão um passo aquém de estabelecer a cadeia completa das supostas fraudes
Por Alex Ribeiro | Valor — São Paulo
O Banco Central identificou um conjunto de “laranjas”, segundo comunicação ao Ministério Público, que teriam atuado na lavagem de dinheiro originado das supostas fraudes no Banco Master — e que, a partir de agora, serão fundamentais para recuperar recursos que possam mitigar perdas potenciais aos depositantes.
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| Análise: Rastreamento de ‘laranjas’ pode destravar recuperação de recursos do Banco Master — Foto: Maria Isabel Oliveira/O Globo |
Mais do que isso: podem ajudar a rastrear algumas das ramificações das cadeias de pagamentos feitas pelo banco sob o controle de Daniel Vorcaro que ainda permanecem ocultas, identificando quem são os reais beneficiários finais do dinheiro.
A relação desses “laranjas” foi encaminhada pelo Banco Central em comunicação ao Ministério Público em 17 de novembro, conforme revelado na semana passada pela Folha de S.Paulo e confirmado pelo Valor.
O BC alertou o MP que será preciso fazer o congelamento dos recursos para evitar a dissipação dos valores que teriam sido lavados por meio de fundos da Reag — um total de R$ 11,5 bilhões de dinheiro dos depositantes, a maior parte segurada pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Questionado ontem pelo Valor, o Supremo Tribunal Federal (STF) informou que o ministro Dias Toffoli, responsável pelo inquérito, não negou nem deixou de apreciar nenhum pedido de congelamento de recursos.
Em nota encaminhada ao Valor, a assessoria de comunicação do STF cita os “laranjas”, por mensagem de e-mail: “A delegada do caso havia mencionado que poderia fazer pedidos envolvendo ‘laranjas’, mas não apresentou nada até o momento”.
O Valor questionou a Polícia Federal sobre o andamento de eventuais pedidos de congelamento de recursos mantidos por “laranjas” em fundos da Reag, e a assessoria de imprensa da instituição respondeu que “não se manifesta sobre investigações em curso”.
Por ora, veio a público apenas uma parte das apurações do Banco Central, envolvendo o suposto desvio de R$ 11,5 bilhões em empréstimos simulados cujos recursos teriam circulado pela Reag.
As investigações prosseguem para apurar possíveis fraudes — e eventuais novas redes de “laranjas” — no restante dos ativos do conglomerado do Master, que somavam cerca de R$ 60 bilhões.
O trabalho não foi interrompido, segundo apurou o Valor, apesar das iniciativas do STF e do Tribunal de Contas da União (TCU) para investigar os procedimentos adotados pelo BC na liquidação do Master — uma das preocupações dos supervisores é de não serem acusados de omissão na comunicação adicional ao MP de eventuais crimes que tenham sido cometidos.
Embora já tenha passado algum tempo desde a liquidação, a expectativa é que sejam rastreadas novas cadeias de “laranjas” usadas no Master, já que alguns dos supostos esquemas de ocultação de valores não eram muito sofisticados, segundo uma fonte com conhecimento das apurações.
Na pressa para levantar recursos para viabilizar o socorro do Banco de Brasília (BRB) ao Master, por exemplo, os controladores de ambas as instituições encaminharam ao Banco Central pedidos de autorização para aumento de capital que envolviam fundos dos mesmos “laranjas”, segundo a comunicação feita pelo BC ao MP.
A localização dos “laranjas” e o congelamento dos recursos, porém, estão um passo aquém de estabelecer a cadeia toda. A suposta tentativa de capitalização do BRB e do Master com dinheiro desses “laranjas” estabelece uma possível conexão com os controladores e administradores do Master e do BRB.
Será preciso dar sequência na Justiça, com quebras adicionais de sigilo bancário, para identificar quais são os demais beneficiários de pagamentos feitos com recursos mantidos pelas contas de “laranjas”.
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