Qualidade das águas em Rio das Ostras: um balanço dos últimos 10 anos

A qualidade da água em Rio das Ostras nos últimos 10 anos apresenta um cenário de contrastes, com pontos de poluição crônica próximos às áreas urbanas e foz de rios, enquanto praias mais afastadas mantêm bons índices.


Por Luiz Maia

O cenário ambiental em Rio das Ostras nos últimos dez anos é marcado por um contraste severo entre a preservação de praias mais afastadas e o desafio contínuo do saneamento básico nos pontos urbanos centrais. Relatórios históricos do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) e dados de comitês regionais indicam que, embora o município tenha 28 km de litoral, trechos específicos sofrem com poluição crônica.

Localização dos Pontos de Amostragem | INEA

O monitoramento histórico indica que a balneabilidade varia conforme a proximidade com o rio que dá nome ao município, o Rio das Ostras e, o Canal de Medeiros.

Praias: O desafio dos coliformes fecais

Coliformes fecais são um grupo de bactérias encontradas no trato intestinal de humanos e animais, servindo como indicadores de contaminação fecal (fezes ou, cocô) em água e alimentos, sinalizando a possível presença de patógenos perigosos como vírus e outras bactérias que causam doenças (diarreia, hepatite A, etc.), sendo a Escherichia coli (E. coli) o membro mais conhecido desse grupo e um marcador principal de contaminação fecal.

A análise da última década revela que a balneabilidade (qualidade da água do mar) das praias do Centro, Cemitério e Boca da Barra tem sido frequentemente comprometida. Em boletins recentes de dezembro de 2025, esses pontos foram classificados como impróprios para banho devido a elevados índices de coliformes fecais.

O principal vilão é o deságue de esgoto doméstico e águas pluviais (água da chuva que escorre por superfícies como telhados, ruas e solos, coletada por sistemas de drenagem urbana - galerias pluviais), que carregam detritos para o mar, especialmente após chuvas fortes. Quem caminha nas praias pode ver que há canos, instalados pela Prefeitura, que ligam as ruas e a rodovia Amaral Peixoto para as praias, canos facilmente vistos nas praias do Bosque, do Centro e das Tartarugas.

Em contrapartida, as praias de Costazul, Mar do Norte e Areias Negras mantêm-se historicamente como as mais limpas da cidade, oferecendo condições seguras para banhistas na maior parte do tempo.

Maré de contaminantes: como a chuva no asfalto transforma a areia em risco sanitário

Enquanto muitos buscam o litoral para aproveitar os feriados de fim de ano, um inimigo invisível ganha força após cada temporal de verão: a poluição difusa. Diferente do esgoto doméstico, que costuma ter fontes identificáveis, a água da chuva que "lava" o asfalto das ruas e rodovias carrega um coquetel químico e biológico diretamente para as areias e o mar, comprometendo a balneabilidade e a saúde dos banhistas.

O Coquetel Tóxico do Asfalto

O escoamento pluvial em áreas urbanas e rodoviárias não transporta apenas lixo visível. Ao passar pelas vias, a água arrasta substâncias provenientes do tráfego intenso:

Compostos Químicos e Hidrocarbonetos
  • Derivados de Petróleo: Óleo, graxa e combustível que vazam de veículos ou do próprio betume do asfalto.
  • PAHs (Hidrocarbonetos Policíclicos Aromáticos): Substâncias tóxicas liberadas pelo desgaste do asfalto e pela queima de combustíveis fósseis, muitas delas cancerígenas.

Metais Pesados

Originam-se principalmente do desgaste de peças de veículos (freios e pneus) e da corrosão de metais:
  • Chumbo (Pb), Cádmio (Cd) e Cobre (Cu): Comuns em rodovias devido ao atrito mecânico e resíduos de escapamento.
  • Zinco (Zn): Frequentemente associado ao desgaste de pneus.

Microplásticos e Particulados
  • Pneus e Rodovias: O desgaste de pneus e a abrasão do asfalto liberam fragmentos microscópicos de polímeros e borracha que são carreados diretamente para a areia.
  • Sedimentos e Lixo: Poeira, areia suja, plásticos descartados, bitucas de cigarro e resíduos metálicos.

O Perigo Oculto na Areia

Embora a água do mar receba a carga poluente, a areia funciona como um filtro natural, retendo patógenos. A areia úmida, em especial, torna-se um ambiente propício para a proliferação de bactérias como Enterococos e E. coli.

Especialistas alertam que a contaminação biológica — potencializada pelo "lavado" de fezes de animais e esgoto clandestino das calçadas — pode causar desde micoses e infecções de pele até surtos de doenças diarreicas, especialmente em crianças que têm contato direto com a areia.

Rios e Canais

A saúde do litoral está diretamente ligada à situação dos rios e canais. O Rio das Ostras e o Canal de Medeiros são fontes críticas de preocupação. Relatos técnicos apontam que:

Canal de Medeiros: Sofre com assoreamento e a presença de plantas aquáticas (gigogas), que indicam excesso de matéria orgânica decorrente do lançamento direto de esgoto.

É preciso saber que os bairros que circundam o Canal de Medeiros possuem coleta de esgoto da empresa de saneamento que atende ao município e, portanto, os grandes dutos que vemos jogando esgoto em vários pontos do Canal, como próximo à Avenida Brasil, na Extensão do Bosque, devem ser de outra instituição, pois não foram instalados por moradores. A SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto da Prefeitura) deve investigar e tomar as atitudes necessárias.

E há as residências que jogam, diretamente, seu esgoto no Canal pois não fizeram a conexão com a rede de esgoto local. Mas estes são poucos.

Lagoa do Iriry (Lagoa da Coca-Cola): Apesar de sua importância turística, tem sido alvo de intervenções constantes do SAAE para coibir ligações irregulares de esgoto em seu entorno, variando sua classificação de balneabilidade ao longo dos anos.

Avanços e Perspectivas

Especialistas e órgãos de controle ambiental destacam que o impacto nas praias é um reflexo direto do saneamento nos bairros. A falta de rede coletora em áreas de ocupação urbana recente continua sendo o maior obstáculo para a recuperação plena dos corpos hídricos até 2025.

Os políticos, como prefeitos e vereadores, no caso dos municípios, são os responsáveis pela administração das cidades e, portanto, responsáveis pela qualidade da água em nossas praias e rios, assim como responsáveis pela saúde da população e, responsáveis pelo turismo, que é afetado diretamente pela poluição de nossas praias.

Poluição das praias afasta turistas e desafia o comércio em Rio das Ostras

Um dos destinos mais procurados da Costa do Sol fluminense, Rio das Ostras vive um paradoxo neste verão de 2025. Enquanto a rede hoteleira e o setor de serviços se preparavam para um faturamento recorde, a recorrência de bandeiras vermelhas de "Imprópria para Banho" em pontos icônicos da cidade tem causado um "esvaziamento" precoce e preocupação entre empresários e autoridades.

O Gargalo da Balneabilidade (qualidade da água do mar)

Nos últimos anos, o crescimento urbano acelerado e o déficit histórico em saneamento básico tornaram-se visíveis na beira do mar. Segundo boletins recentes do Instituto Estadual do Ambiente (INEA), trechos populares como a Praia do Centro, Cemitério e Boca da Barra têm apresentado altos índices de coliformes fecais de forma persistente.

A contaminação é agravada pela poluição difusa — onde a chuva carrega resíduos das ruas para o mar — e por ligações clandestinas de esgoto que desembocam nos canais de drenagem. Em pleno Natal de 2025, o movimento de banhistas em algumas dessas orlas foi considerado "tímido", com muitos turistas optando por praias mais distantes ou até cidades vizinhas para garantir um mergulho seguro. 

Impacto no bolso e na imagem

O reflexo da poluição é direto no caixa do comércio local. Quiosqueiros e ambulantes relatam que a "bandeira vermelha" funciona como um repelente para os consumidores. “O turista vem para a praia, vê a placa de imprópria e não fica. Ele volta para a pousada ou vai embora. Isso corta nosso faturamento pela metade”, afirma um comerciante da Praia do Bosque.

A situação também gera um desafio de imagem. Com a circulação de notícias e boletins de balneabilidade nas redes sociais, Rio das Ostras enfrenta a concorrência de destinos que ostentam selos ambientais mais rigorosos. A prefeitura tem intensificado a fiscalização ambiental e cobrado da concessionária Rio+ Saneamento a aceleração de obras de esgotamento sanitário, cuja meta contratual prevê 90% de cobertura até 2033 — um prazo que muitos moradores e comerciantes consideram distante diante da urgência atual.

É preciso lembrar que a SAAE (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) é municipal, da prefeitura. Tem por finalidade a operação, manutenção e exploração de serviços, bem como o estudo, a elaboração de projetos e execução de obras visando a melhoria e ampliação dos sistemas de abastecimento de água e esgotamento sanitário.

O que a SAAE tem feito para resolver esses problemas citados? Por quê prefeitos e vereadores só culpam a Rio+, quando eles, os políticos, são os responsáveis pelos contratos e atuação de empresas de saneamento, já que são os administradores do município?

Canais para consulta e fontes de informação

Para monitorar a situação em tempo real ou acessar dados históricos, os cidadãos podem utilizar os canais oficiais:

Boletim de Balneabilidade do INEA: Monitoramento periódico de 11 trechos em Rio das Ostras.

Comitê de Bacia Macaé e das Ostras: Relatórios técnicos sobre a saúde dos rios e bacias hidrográficas da Região dos Lagos.

Portal da Prefeitura de Rio das Ostras: Notícias sobre intervenções sanitárias e fiscalizações ambientais.

SOS Mata Atlântica: Monitoramento independente de rios e ecossistemas costeiros da região.

SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto

Portal de Notícias Cidade 24h

Reportagem local (R7 Record Interior RJ)

Texto criado com ajuda de IA

0/Post a Comment/Comments

Grato por sua colaboração.