Master: Toffoli autoriza retomada da investigação, mas custodiará arquivos em seu gabinete

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli autorizou na noite desta segunda-feira (15) a retomada da investigação sobre as fraudes do Banco Master, que estavam paralisadas desde o início do mês, quando o magistrado avocou o caso para a Corte atendendo a um pedido da defesa de Daniel Vorcaro, CEO do banco liquidado no mês passado. Toffoli, porém, determinou que a custódia dos materiais apreendidos fique sob a responsabilidade de seu gabinete no STF.


Por Malu Gaspar e Johanns Eller | O Globo

“Tendo sido encartados aos autos documentos e informações de diversos órgãos estatais e também pelo Poder Judiciário ao Supremo Tribunal Federal, determino sejam devidamente custodiados, não apenas para afastar eventuais nulidades, mas também para que sejam alcançados resultados efetivos, com a estrita observância do devido processo legal”, diz o trecho da decisão do ministro.

O ministro Dias Toffoli, do STF — Foto: Cristiano Mariz/Agência O Globo/27/11/2024

Toffoli determinou ainda que as oitivas da Polícia Federal com os investigados ocorram “por videoconferência ou presencialmente em uma das salas de audiência localizadas nesta Suprema Corte, devendo ser gravadas e acompanhadas pelos magistrados auxiliares” de seu gabinete.

Ainda segundo o ministro, há a “absoluta necessidade da realização de diligências urgentes” – de acordo com ele, “não só para o sucesso das investigações, mas também como medida de proteção ao Sistema Financeiro Nacional e às pessoas que dele se utilizam”.

Estão previstas as oitivas de investigados no esquema como Vorcaro, de dirigentes do Banco Central, que liquidou o Master no mês passado, além da possibilidade da PF apresentar requerimentos individualizados para a derrubada de sigilos fiscais, telefônicos e de correspondência.

No último dia 2, Toffoli colocou em sigilo a ação movida pelos advogados de Daniel Vorcaro contra a operação autorizada pela Justiça Federal de Brasília que levou o banqueiro à cadeia.

A defesa argumentou que a Justiça Federal não seria o foro competente para cuidar das investigações que o levaram à cadeia, e sim o Supremo, em função de um contrato imobiliário apreendido pelos investigadores que menciona o deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA). A tese foi acatada pelo ministro.

Sigilo

O processo foi autuado inicialmente em “segredo de Justiça”, mas, após o blog revear no último dia 28 a ofensiva jurídica de Vorcaro no STF, Toffoli aumentou o nível de restrição na divulgação de informações e colocou o processo como “sigiloso” no mesmo dia.

Em uma escala de cinco níveis, que começa com 0 (processo público) e termina em 4 (sigilo máximo), Toffoli tirou a ação do segredo de Justiça (nível 1) e o colocou como sigilo padrão (nível 3), o segundo mais alto de todos.

No ano passado, Toffoli participou de um evento patrocinado pelo Master – o I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, organizado por uma empresária bolsonarista que já criticou “cidadãos de toga” e o “canetaço” do Supremo Tribunal Federal.

Além dele, também participaram do evento outros ministros do STF, como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes – cuja mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, foi contratada pelo Master com a previsão de pagamento de R$ 129 milhões ao longo de três anos, conforme revelou o blog.

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