Justiça eleitoral condena prefeito de Diadema à prisão por associar assessor de Lula ao PCC

Taka Yamauchi (MDB) afirma que irá recorrer da decisão, que foi tomada em primeira instância. Recurso poderá ser feito em liberdade.


Por Paulo Gomes | TV Globo e g1 SP — São Paulo

A Justiça Eleitoral condenou o prefeito de Diadema, Taka Yamauchi (MDB), a quase sete meses de prisão por difamação e injúria eleitoral. O fato ocorreu durante o debate entre os principais candidatos a prefeito da cidade, realizado pelo g1 em agosto de 2024.

Taka Yamauchi (MDB) durante debate do g1 entre candidatos à prefeitura de Diadema — Foto: Fábio Tito/g1

O prefeito pode recorrer em liberdade e afirmou, em nota, que apresentará recurso à Justiça dentro do prazo legal.

Entenda o caso

Na ocasião, Taka fez uma pergunta ao então prefeito Filippi (PT), que concorria à reeleição.

"O Brasil vem sofrendo há muito tempo com o crime organizado, inclusive o tal de Marcola, lá de Brasília, de forma irregular, mandou dinheiro aqui pra Diadema, conforme denunciado pela mídia, e o pior é que esse dinheiro não chegou para a população. A pergunta é simples, candidato, cadê o dinheiro? Tá vindo de táxi?"

Taka fez referência a Marco Aurélio Santana Ribeiro, então chefe do gabinete pessoal de Lula na Presidência da República. Marco Aurélio também é conhecido pelo apelido de Marcola — assim como o criminoso Marcos Willians Herbas Camacho, apontado como líder do PCC.

Na decisão, a juíza Clarissa Rodrigues Alves escreve que "é de conhecimento notório que 'Marcola', e não a vítima, é um dos líderes da facção criminosa denominada PCC. O réu sabia que o apelido da vítima Marco Aurélio era 'Marcola', e ao relacionar o seu nome com o crime organizado por suposta utilização de verbas irregulares, assumiu o risco de provocar o resultado no caso em questão, qual seja, a ofensa à honra objetiva e subjetiva da vítima".

Segundo a juíza, Taka juntou fatos de reportagens distintas e "criou a sua própria história inserindo palavras ofensivas à reputação e dignidade da vítima".

A magistrada afirma que "não é necessário ser um exímio intérprete para constatar que a frase no contexto eleitoral visou abalar a reputação do outro candidato, por meio de ofensas dirigidas à vítima, comparando-o ao 'Marcola' do PCC, envolvendo-o em supostas irregularidades no repasse de verbas federais ao município de Diadema".

A pena fixada na decisão é de seis meses e 25 dias de detenção. Se condenado, o prefeito de Diadema poderá cumprir a pena em regime aberto. Cabe recurso, e Taka pode recorrer em liberdade.

Em nota, Taka Yamauchi afirmou que tomou ciência da sentença e que apresentará recurso no prazo legal.

"O prefeito reafirma seu respeito às instituições e à Justiça, confiante de que os esclarecimentos serão devidamente apreciados pelas instâncias superiores, no exercício pleno do direito ao contraditório e à ampla defesa."

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