Pablo Sartori afirma que consolidação do domínio do CV na Grande Jacarepaguá é o principal fator a impulsionar o aumento de roubos naquela região
Por Rafael Soares | O Globo — Rio de Janeiro
Pablo Sartori, subsecretário de inteligência da Secretaria de Segurança do Rio, afirma que a consolidação do domínio do Comando Vermelho (CV) na Grande Jacarepaguá é o principal fator a impulsionar o aumento de roubos na região, conforme mostra a segunda edição do Mapa do Crime, ferramenta interativa do GLOBO lançada nesta semana. Segundo Sartori, lojas de celulares dentro das favelas passaram a atuar a serviço do mercado ilegal de aparelhos após a invasão do tráfico.
A Grande Jacarepaguá é a região onde roubos mais avançam no Rio. Por quê?
Esse fenômeno tem ligação com a mudança da cena criminal na região. Antes, o monopólio era da milícia, que ganhava dinheiro com a exploração interna da comunidade: água, gás, internet. A milícia evitava vender drogas em suas comunidades e não permitia a prática de roubos nos entornos para evitar exposição. Hoje, o CV já se consolidou no controle da maioria das comunidades locais. E o modo de agir do tráfico é diferente: eles autorizam e mandam parar os roubos dependendo da pressão que eles sofrem no momento.Esse movimento de expansão do CV já impacta o aumento dos roubos em outras áreas?
Barra da Tijuca e Recreio dos Bandeirantes também são impactados. Muitas quadrilhas estão roubando nesses bairros e se refugiam em favelas da Grande Jacarepaguá, hoje sob controle do CV. Outro fator que acabou impactando no aumento dos roubos nesses bairros foi a cooptação de comerciantes que atuavam de forma legal nessas comunidades pelo mercado ilegal. A Gardênia Azul tinha muitas lojas de celular que não trabalhavam com produtos roubados quando a milícia dominava a região, pois ninguém vinha oferecer celulares sem proveniência ali. Hoje, com o tráfico, essa limitação não existe mais.Como a secretaria pretende conter a expansão do CV?
Essa é uma situação que não tem solução simples. Em outubro, fizemos uma ação de enfrentamento direto no QG da facção, o Complexo do Alemão. Mas sabemos que só isso não basta, temos que retomar esses territórios de forma mais incisiva. Para isso, estado, município e governo federal já estão conversando. Não vamos repetir as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), mas pegar o que deu certo. Algumas comunidades estão sendo estudadas para funcionar como teste. Não vai entrar só a polícia, mas também Estado, iniciativa privada, plano de saneamento e urbanismo.O que é o Mapa do Crime?
Quais são os bairros mais perigosos do Rio e de Niterói? Onde os roubos avançaram? Qual é o horário menos seguro para caminhar pela vizinhança? Para ajudar a responder essas perguntas e entender a dinâmica da violência nessas cidades, o GLOBO desenvolveu o Mapa do Crime, uma ferramenta interativa de monitoramento de roubos com dados inéditos de delitos por bairros.Depois do lançamento da primeira edição no meio deste ano, com dados de 2024 referentes à cidade do Rio, agora publicamos a segunda edição da plataforma, a partir de dados referentes ao primeiro semestre de 2025, com informações sobre quatro crimes diferentes — roubos de celular, a transeunte, de veículo e em coletivo — em 147 bairros diferentes da capital fluminense, além de 51 bairros de Niterói.
A ferramenta foi produzida a partir de microdados obtidos via Lei de Acesso à Informação junto ao Instituto de Segurança Pública (ISP). O órgão, responsável por compilar as estatísticas da segurança no estado, divulga mensalmente indicadores divididos por áreas de batalhões e delegacias — que abrangem, na maioria dos casos, vários bairros. Buscando entender dinâmicas criminais hiperlocais, o GLOBO solicitou dados mais precisos de localização dos crimes e recebeu informações sobre os bairros onde cada ocorrência foi registrada, menor unidade territorial disponibilizada pelo ISP. É a primeira vez que indicadores criminais no Rio são divulgados com esse nível de detalhamento.
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