Rio das Ostras sob as águas: o legado de enchentes nos mandatos de Carlos Augusto

Historicamente conhecida por suas praias paradisíacas e pelo boom econômico do petróleo, a cidade de Rio das Ostras, na Região dos Lagos, carrega uma cicatriz urbana que se aprofundou ao longo das últimas décadas: o drama das enchentes.


Por Luiz Maia

Durante os mandatos do prefeito Carlos Augusto Balthazar, a gestão do saneamento e o escoamento de águas pluviais foram temas centrais de debates políticos, promessas de campanha e, infelizmente, de prejuízos para a população.

O prefeito de Rio das Ostras Carlos Augusto, e o vice, Dr Fábio Simões | Departamento de Jornalismo - ASCOM

O crescimento acelerado e o gargalo da infraestrutura

O período em que Carlos Augusto esteve à frente da prefeitura foi marcado por um crescimento populacional explosivo. Entre 2005 e 2012 (e posteriormente em seu retorno em 2017), Rio das Ostras viu bairros surgirem sem o devido planejamento de drenagem. O resultado foi uma conta cobrada pela natureza a cada verão.

Áreas como Âncora, Nova Cidade, Recanto e Cidade Praiana tornaram-se pontos críticos. O problema é sistêmico: a pavimentação de ruas sem a instalação de manilhas adequadas e a ocupação de áreas de bacia de retenção fizeram com que qualquer chuva de média intensidade transformasse vias públicas em rios.

Enchentes em Rio das Ostras extrapolam danos físicos e geram crise social e na saúde

Além dos danos à infraestrutura urbana, a recorrência das chuvas em Rio das Ostras tem provocado impactos severos no cotidiano da população, transformando transtornos logísticos em tragédias sociais. O histórico de inundações no município revela um cenário que vai muito além de estatísticas, afetando diretamente a economia doméstica e o bem-estar dos moradores.

Impactos no patrimônio e na economia

O prejuízo material é uma das faces mais visíveis do problema. Moradores acumulam perdas recorrentes de móveis, eletrodomésticos e veículos. O cenário foi particularmente crítico durante as grandes cheias registradas entre 2008 e 2009, datas que marcaram o auge da crise habitacional diante da falta de escoamento eficiente.

Crise na saúde e mobilidade

A situação epidemiológica também preocupa as autoridades. O contato direto da população com águas contaminadas tem provocado o aumento nos casos de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose. Esse fenômeno gera um efeito cascata, sobrecarregando as unidades de pronto atendimento do sistema municipal de saúde.

No setor de logística, o isolamento é a principal queixa. A Rodovia Amaral Peixoto (RJ-106), principal via de ligação da cidade, sofre interrupções constantes durante os temporais. O bloqueio da artéria não apenas isola bairros inteiros, mas trava o fluxo comercial, prejudicando o abastecimento e a economia local.

O embate político e as obras de drenagem

Durante as gestões de Balthazar, o governo defendeu que grandes investimentos em macrodrenagem foram realizados, como o canal do Recanto e intervenções no Jardim Mariléa. No entanto, a crítica da oposição e de especialistas em urbanismo sempre focou na manutenção preventiva.

Muitas vezes, bueiros entupidos e canais sem limpeza potencializavam o efeito das chuvas. O argumento oficial frequentemente atribuía a gravidade das enchentes ao "volume histórico de chuvas", enquanto a população cobrava soluções definitivas para o escoamento da água até o mar e o Rio das Ostras.

Um problema que atravessa mandatos

Embora Carlos Augusto tenha sido um dos gestores com mais tempo no poder, a questão das enchentes em Rio das Ostras é um desafio hereditário. A complexidade geográfica da cidade — com muitas áreas abaixo do nível do mar — exige um investimento contínuo que nem sempre acompanhou o ritmo das construções civis.

Hoje, ao olhar para o passado, o período de seus mandatos é lembrado por um contraste nítido: uma cidade que se modernizava em prédios e asfalto, mas que ainda lutava contra o reflexo turvo das águas que invadiam as casas a cada tempestade.

Contraste entre altos investimentos e baixa eficácia no planejamento financeiro municipal gera pressão da sociedade civil

Para aprofundar a análise, os dados financeiros e de planejamento mostram um cenário de altos investimentos nominais, mas com uma eficácia frequentemente questionada por órgãos de controle e pela sociedade civil.

Aqui estão os detalhes técnicos sobre os investimentos e as fontes consultadas:

A Parceria Público-Privada (PPP) do Esgoto


Um dos pontos mais controversos dos mandatos de Carlos Augusto foi a PPP do Saneamento, firmada com a Odebrecht Ambiental.
  • Investimento estimado: O contrato total foi avaliado em cerca de R$ 1,43 bilhão ao longo de décadas.
  • O problema: Relatórios da Controladoria Geral da União (CGU) e denúncias veiculadas na mídia regional (como o portal Elizeu Pires) apontaram que, embora mais de R$ 550 milhões tenham sido repassados pela prefeitura até meados de 2015, bairros como Cidade Praiana e Cidade Beira Mar continuavam sofrendo com inundações severas. A divergência entre o que a empresa dizia ter investido e o que a prefeitura alegava ter pago foi um marco desse período.

O Plano Plurianual (PPA) e o "Novo" Mandato (2025-2026)

Em seu retorno mais recente ao Executivo, o planejamento orçamentário reflete uma tentativa de remediar gargalos históricos:
  • Investimentos em Drenagem: Para o ciclo atual, o governo anunciou o investimento de quase R$ 23 milhões em obras de drenagem, com recursos provenientes do Novo PAC.
  • Foco Geográfico: O foco está na revitalização de "piscinões" e no monitoramento do Canal do Medeiros, um dos principais escoadouros da cidade que, historicamente, sofre com o assoreamento.
  • PPA 2026-2029: O Anteprojeto de Lei nº 003/2021 estabelece as diretrizes para os próximos anos, priorizando a limpeza de bacias de acumulação e o funcionamento de bombas de drenagem, ações que foram negligenciadas em períodos de crise financeira anterior.

Fontes das Informações:

G1 Região dos Lagos: Histórico de cassações, decisões do TSE e impactos das chuvas na rodovia RJ-106.

O Dia (Rio das Ostras): Reportagens sobre os novos investimentos de R$ 23 milhões em drenagem e o balanço da gestão 2025.

Documentos Oficiais:

Jornal Oficial de Rio das Ostras: Editais de licitação de obras e decretos de calamidade financeira (especialmente em 2017).

Prefeitura de Rio das Ostras (Portal da Transparência): Detalhamento do PPA 2026-2029 e do Programa de Governo "Rio das Ostras Feliz de Novo".

Controle e Fiscalização:

Relatórios da CGU (Controladoria Geral da União): Auditorias sobre a aplicação de recursos federais em saneamento na cidade.

Blog Elizeu Pires: Investigação jornalística sobre os custos e falhas da PPP de esgotamento sanitário.

Texto criado com ajuda de inteligência artificial

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