Ex-assessor de ministro de Bolsonaro, deputado do PL concedeu honrarias a Augusto Lima e Flávia Perez, do Banco Pleno

Ex-chefe de gabinete de João Roma no Ministério da Cidadania, Vitor Azevedo comandou o PL na Bahia, concedeu título de cidadã baiana a Flávia Perez e propôs a "Comenda Dois de Julho ao Acionista e CEO do Banco Master Augusto Lima".


Por Plinio Teodoro | Revista Fórum

Ex-chefe de gabinete de João Roma, ex-ministro da Cidadania no governo Jair Bolsonaro (PL), o deputado estadual baiano Vitor Azevedo é autor de dois projetos que concederam honrarias a Augusto Lima, dono do Banco Pleno, e Flávia Perez, esposa e gestora da instituição, que foi ministra-chefe da Secretaria de Governo do ex-presidente entre 2021 e 2022, na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba).

Ao lado de Augusto Lima, Flávia Perez recebe o título de cidadã baiana dos deputados Adolfo Menezes e Vitor Azevedo (VannerCasaes/AgênciaALBA)

Conforme revelou a Fórum, Flávia e Ronaldo Vieira Bento, que assumiu o Ministério da Cidadania no lugar de João Roma, faziam parte do Conselho de Administração do Banco Pleno, que foi liquidado nesta quarta-feira (18) pelo Banco Central.

Vice-líder do governo na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou pedidos de convocação de Augusto Lima, Flávia Perez e João Roma na CPMI do INSS. O parlamentar já havia pedido a convocação de Ronaldo Bento após a Fórum revelar que o ex-ministro, que conduziu o processo de crédito consignado no Auxílio Brasil, ganhou cargo na diretoria do Pleno, instituição ligada à estrutura do Banco Master.

Cidadã Baiana

Flávia, que adotou o sobrenome de solteira após se separar em novembro de 2022 do ex-governador do Distrito Federal José Roberto Arruda – que já foi preso e alvo de diversas investigações sobre corrupção -, recebeu o título de cidadã baiana em 27 de novembro de 2023.

“Entrego este título a uma mulher que se destaca não apenas por suas conquistas individuais, mas, acima de tudo, por sua dedicação à coletividade. É com orgulho que acolhemos Flávia como cidadã baiana”, disse Azevedo na ocasião.

“É um momento de muita alegria para mim receber você na minha terra. O título é seu, mas o presente é nosso. Sorte, luz, que Senhor do Bonfim ilumine seu caminho. E saiba que seu amor estará sempre ao seu lado, lhe aplaudindo”, emendou o banqueiro, que acompanhou a esposa.

Em dezembro de 2024, Vitor Azevedo protocolou um projeto de resolução para conceder “a Comenda Dois de Julho ao Acionista e CEO do Banco Master Augusto Lima”.

Ao justificar a proposta para concessão da maior honraria da assembleia baiana ao banqueiro, o deputado do PL diz que “neste ano, o Banco Master adquiriu o controle do Will Bank, um banco digital com mais de 9 milhões de clientes e forte presença no Norte e Nordeste do país”. As duas instituições foram liquidadas pelo Banco Central (BC).

“A parceria reforça o compromisso com a inclusão financeira, levando crédito e serviços financeiros ao público de baixa renda no Brasil”, emenda o deputado, ressaltando os serviços de crédito consignado, principal operação do Banco Pleno. O projeto está parado desde 23 de janeiro deste ano no Departamento de Controle do Processo Legislativo da Alba.

Comando do PL na Bahia

Ex-chefe de Gabinete de João Roma no Ministério da Cidadania, Vitor Viana Paranhos De Azevedo é oriundo de uma longa dinastia política baiana e trocou o Republicanos pelo PL, de Jair Bolsonaro, em 2022, quando foi o deputado mais votado da sigla nas eleições ao legislativo estadual.

Azevedo deixou o ministério em março de 2022, juntamente com João Roma, e herdou do chefe a presidência do PL na Bahia – que voltou para as mãos do ex-ministro, que atualmente comanda a sigla.

Roma é apontado como um dos principais articuladores dos negócios de Augusto Lima na Bahia. Ele teria, inclusive, apresentado ao banqueiro à Flávia Perez, com quem se casou e passou o controle do banco em julho do ano passado.

O “ninho” bolsonarista no Pleno

O Comunicado n° 43.628, publicado pelo Banco Central em 7 de agosto de 2025, expõe a espinha dorsal da administração da instituição agora liquidada. Nele, consta que a cúpula do banco era formada por nomes centrais do governo Bolsonaro.

No Conselho de Administração estava Figura Flávia Carolina Peres Lima, ex-ministra-chefe da Secretaria de Governo de Bolsonaro.

Na Diretoria Executiva, o comando operacional cabia a Ronaldo Vieira Bento, ex-ministro da Cidadania. Bento, que geriu o Ministério responsável pelo Auxílio Brasil durante o período eleitoral de 2022, aparece no organograma oficial como Diretor do banco, dividindo a gestão com Renata Leme Borges dos Santos.

O esforço da imprensa tradicional em tentar “nacionalizar” a crise do Pleno puxando o PT para o centro do escândalo ignora o óbvio: a “porta giratória” entre o governo Bolsonaro e o sistema financeiro sob suspeita. O Banco Pleno, assim como o Master e o Will Bank (também liquidados), operava sob uma lógica de insolvência que agora explode no colo do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), com um rombo que ultrapassa R$ 55 bilhões juntando os três casos.

A tentativa de vincular Augusto Lima ao governo atual baseia-se em conexões geográficas frágeis, ignorando que os administradores que assinaram pelos atos da instituição, agora sob investigação na Operação Compliance Zero, eram as mesmas mãos que operavam a máquina pública federal bolsonarista até 2022.

CPMI do INSS

Vice-líder do PT na Câmara, o deputado Rogério Correia (PT-MG) acionou formalmente a mesa diretora da CPMI do INSS para ampliar o cerco sobre o esquema de fraudes bilionárias que vitimou aposentados e pensionistas. Numa ofensiva protocolada nesta quarta-feira (18), diante da liquidação do Banco Pleno pelo Banco Central, o parlamentar apresentou requerimentos para a convocação de figuras centrais do alto escalão do governo de Jair Bolsonaro (PL) que compunham o comando da instituição. Um pedido de quebra de sigilos bancário e fiscal, para uma devassa nas contas Pleno, também foi solicitada.

Entre os pedidos de convocação de Rogério Correia, destacam-se os nomes de Flávia Carolina Peres (ex-Flávia Arruda), ex-ministra da Secretaria de Governo (SEGOV), e João Inácio Ribeiro Roma Neto, ex-ministro da Cidadania. Ambos possuíam vínculos com a governança do Banco Pleno.

“Como já revelado anteriormente pela Revista Fórum, embora setores da mídia corporativa tentem associar o Banco Pleno a integrantes da atual gestão federal, a estrutura da instituição era, na verdade, um reduto de ex-ministros de Jair Bolsonaro”, diz, na justificativa.

Além de Flávia Peres e João Roma, o deputado já havia solicitado, em dezembro de 2025, a oitiva de Ronaldo Vieira Bento, outro ex-ministro da Cidadania de Bolsonaro que assumiu cargo de diretor no Banco Pleno. Bento é apontado por ter atuado diretamente na implementação do consignado do Auxílio Brasil, modelo que, pouco tempo depois, passou a administrar na iniciativa privada através de empresas ligadas ao conglomerado de Daniel Vorcaro.

Além das oitivas, o parlamentar requereu a transferência de sigilo bancário e fiscal do Banco Pleno S.A. referente ao período de 1º de janeiro de 2019 a 18 de fevereiro de 2026. O objetivo é rastrear o fluxo financeiro que pode ter viabilizado o “mecanismo bilionário de fraudes” identificado na operação “Sem Desconto”.

As investigações apontam que o grupo utilizava associações de servidores para conferir aparência de regularidade a operações de crédito que drenavam recursos da previdência. “Torna-se imprescindível a apuração das responsabilidades decorrentes de ações e eventuais omissões relacionadas ao esquema”, justificou Correia nos documentos enviados à Comissão.

Os requerimentos agora aguardam a deliberação da mesa diretora da CPMI para que as datas dos depoimentos sejam agendadas.

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