Deltan apresenta notícia-crime para PGR apurar suposto crime de responsabilidade por Toffoli

Ex-procurador pede que seja investigado o vínculo do ministro com resort associado a fundos ligados ao Master


Por Rodrigo Castro | O Globo

Deltan Dallagnol apresentou uma notícia-crime para que a PGR apure suposto crime de responsabilidade por parte de Dias Toffoli diante das revelações que associam fundos ligados ao Banco Master a um resort no Paraná que tinha seus irmãos como sócios.

O ministro Dias Toffoli, durante sessão do STF — Foto: Ton Molina/STF/26-06-2025

Segundo reportagens de “Folha de S. Paulo” e “Estadão”, o cunhado de Daniel Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel comprou, em 2021, parte da participação deles no resort Tayayá por meio de fundos geridos pela Reag, investigada por fraudes envolvendo o banco.

Toffoli é o relator do caso Master no STF e enfrenta pressão para deixar a relatoria.

À PGR, Dallagnol pede que o órgão investigue a extensão de eventuais vínculos econômicos, benefícios indiretos, estruturas societárias e fluxos financeiros relacionados ao empreendimento.

Segundo a peça, as informações que vieram à tona repercutem em três planos: dever de imparcialidade e eventuais hipóteses de impedimento ou suspeição; eventual responsabilização político-jurídica; e necessidade de apuração de fluxos e estruturas patrimoniais (fundos, empresas, offshores) para afastar ou confirmar riscos de opacidade e de benefícios indevidos.

O documento, assinado pelo advogado Leandro Rosa, o uso frequente do espaço por Toffoli, apontado por funcionários como o proprietário de fato, é um dos fatos que podem indicar eventual benefício indireto ou vínculo econômico relevante.

Cita ainda o endereço supostamente de “fachada” da empresa dos irmãos do ministro e a transferência de ativos a uma offshore por parte de um fundo no qual familiares de Toffoli teriam participação.

O ex-procurador da Lava-Jato também sugere verificar se Toffoli esteve diante de situação que recomendaria declaração de impedimento/suspeição, bem como checar se empresas e fundos citados figuram como partes interessadas ou beneficiários casos em que o ministro atuou.

A notícia-crime pleiteia o cruzamento das informações veiculadas pela imprensa com processos específicos, partes/interessados identificáveis; momentos de atuação; e eventual nexo com o objeto do julgamento.

Diz a peça:

“Os fatos narrados nas matérias, tomados com prudência e sem pré-julgamento, configuram elementos que podem, em tese, atrair hipóteses legais de impedimento/suspeição e, se houver atuação jurisdicional em causas afetadas, até mesmo discussão sobre crime de responsabilidade”.

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