Aliado de Bacellar, presidente da CCJ ‘esconde’ nome do deputado preso no projeto que pode libertar presidente da Alerj

Bacellar foi preso na semana passada pela Polícia Federal suspeito de vazar uma operação contra o ex-deputado TH Jóias


Por Felipe Grinberg | O Globo — Rio de Janeiro

O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Amorim (União), “escondeu” o nome de Rodrigo Bacellar (União), presidente da Casa, do projeto de Resolução que pode soltar o parlamentar. Bacellar foi preso na semana passada pela Polícia Federal suspeito de vazar uma operação contra o ex-deputado TH Jóias. Ele está em uma cela de quatro metros quadrados na Superintendência da PF do Rio.

Alerj decide se prisão de Rodrigo Bacellar será mantida ou revogada — Foto: Divulgação/Alerj

O projeto aprovado na CCJ nesta segunda-feira e que vai a plenário diz que “fica revogada a prisão preventiva que consta na Petição 14.969”. A ação é o número do processo contra Bacellar que corre no Supremo Tribunal Federal, sob relatoria de Alexandre de Moraes.

Durante as dicussões do projeto, um recente caso foi muito mencionado como exemplo de rito e precedentes a ser seguido: o do afastamento da deputada Lucinha (PSD). Em 2024, ela foi acusada de articular politicamente a favor de uma milícia da Zona Oeste do Rio e afastada do mandato judicialmente. A Alerj decidiu devolver a cadeira à parlamentar, mas ordenou a abertura “sumária” de um processo contra ela no Conselho de Ética, que acabou arquivado.

No projeto de resolução da mesma CCJ no início de 2025, o nome de Lucinha foi citado no texto da proposta.

Outra diferença entre os dois casos ocorreu: o projeto de Bacellar será somente sobre a soltura dele da cadeia e não cita nenhuma abertura de processo no Conselho de Ética.

O deputado Alexandre Knoploch (PL), um dos mais próximos de Bacellar, fez uma defesa ferrenha ao presidente da Alerj. Ele criticou a decisão do STF e disse ter elementos “exagerados”. Defendeu ainda que deveria haver outras medidas cautelares que não a prisão e que Bacellar ajudou a aprovar leis de combate ao crime organizados.

— É muito grave a situação que foi criada. Muitos aqui tratavam TH Jóias cheios de beijinhos e abraços, inclusive o pessoal da esquerda. Querer agora jogar a culpa em Rodrigo Bacellar é brincadeira. Fazer um discurso de falácia para imputar algo que, ao meu ver, está muito frágil, não há nenhum sentido — protestou.

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